Campanha Setembro Laranja alerta para a obesidade infantil
- mariaelisaalmeida
- 8 de set. de 2022
- 6 min de leitura
Setembro Laranja alerta para o combate à obesidade infantil. O intuito é conscientizar a comunidade médica e a população em geral sobre a importância de práticas alimentares saudáveis em casa e nas escolas, bem como estimular a prática de atividades físicas.
No Brasil, uma em cada três crianças estão com excesso de peso (sobrepeso ou obesidade).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 41 milhões de crianças menores de cinco anos estejam acima do peso. Para a Sociedade de Pediatria esse dado é alarmante e a entidade está empenhada para que seja drasticamente reduzido.
A conscientização é imprescindível para prevenir a obesidade infantil e outros problemas decorrentes de uma alimentação inadequada, defende a sociedade.
De acordo com o pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, membro do Departamento de Nutrição da SPSP, as principais implicações do excesso de peso podem ser divididas em problemas de curto, médio e longo prazo.
“A curto prazo é a falta de diagnóstico, principalmente falta de conscientização, porque parte das famílias e parte dos profissionais da saúde muitas vezes não avaliam ou interpretam as curvas de crescimento adequadamente e assim deixam de fazer o diagnóstico precoce do excesso e controle de peso”.
A segunda situação, de acordo com o pediatra, são as características emocionais como o bullying, “que começa dentro da própria casa; as características que levam alterações da dinâmica familiar ou de comportamento”.
Segundo Fisberg, a carência nutricional é outro fator importante.
“Apesar do excesso de peso, quase sempre as crianças nessa condição são seletivas, comem pouco de alguns alimentos e muito de outros. Elas podem ter alterações de pele, de postura, podem ter aumento do colesterol, dos triglicérides, e pode ter aumento da resistência insulínica [levando ao diabetes]. Isso pode causar no futuro uma obesidade mais grave, hipertensão, doenças cardiovasculares, alterações lipídicas e todas os aspectos comportamentais e emocionais ligados ao excesso de peso”, alerta.
O pediatra orienta também sobre a prevenção, que deve envolver toda a família. “É importante prevenir através de uma mudança global em todo o sistema de comportamento da família e da sociedade, modificando a alimentação, reduzindo a ingestão de alimentação inadequada e aumentando a atividade física, mas principalmente tendo um comportamento mais consciente em relação a esses aspectos: alimentação, atividade física e de uma forma geral a forma como encaramos o comportamento da alimentação dentro das famílias”.
Fisberg alerta que a obesidade é mais fácil de ser prevenida do que tratada nas crianças. “Hoje aproximadamente uma para cada quatro crianças apresenta excesso de peso, e provavelmente dessas, em torno de 8% a 10% tem obesidade e quase todas tem obesidade grave.
Por isso ela deve ser prevenida, porque não é muito simples perder peso exatamente numa fase de crescimento e desenvolvimento, onde faz parte da vida que se ganhe peso, ganhe massa muscular e massa gordurosa, então é preciso equilibrar crescimento e desenvolvimento com restrição de energia e que não modifique o crescimento, por isso é muito mais importante prevenir do que tratar”, adverte.
Prevenir e reverter o excesso de peso em crianças e adolescentes é fundamental por vários motivos:
Ganhar excesso de peso na infância e na adolescência pode levar ao sobrepeso e à obesidade ao longo da vida;
O excesso de peso na infância e na adolescência está associado a um maior risco e início precoce de doenças crônicas, como o diabetes tipo 2;
A obesidade na infância e adolescência tem consequências psicossociais adversas e reduz o nível de escolaridade;
Crianças e adolescentes são mais suscetíveis ao marketing de alimentos do que adultos, o que torna necessária a redução da exposição das crianças a alimentos obesogênicos.
Orientação
Como parte da programação, está prevista a realização do evento Prevenção da Obesidade Infantil - Setembro Laranja, com transmissão ao vivo pela página da SPSP no Facebook.
Segundo a coordenadora da campanha, pediatra Maria Arlete Escrivão, o objetivo é abrir um novo canal de diálogo com a comunidade, levando informações e respondendo as dúvidas sobre a prevenção da obesidade.
“Queremos alertar sobre o aumento da prevalência da obesidade infantil, orientar como preveni-la e explicar suas consequências. Além disso, ressaltar a importância do acompanhamento do peso e da estatura de crianças e adolescentes pelo pediatra, com o objetivo de detectar precocemente o aumento excessivo de peso”, disse a especialista.
A transmissão acontecerá no dia 27 de setembro, das 14h às 15h30.
PREVENÇÃO DA OBESIDADE
No pré-natal: Realizar consulta pediátrica no pré-natal a partir da 32a semana de gestação: • Orientação nutricional materna e controle do ganho de peso corporal. • A prevenção da obesidade começa desde o pré-natal com os cuidados que a mãe deve ter com seu ganho de peso e alimentação balanceada. • Meta para prevenção de doenças crônicas não transmissíveis. Ações conjuntas entre diversas Sociedades (especialidades): Endocrinologia, Genética, Nutrologia, Ginecologia e Obstetrícia.
Promoção do aleitamento materno: Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os seguintes esforços deverão ser feitos para promover o aleitamento materno e mantê-lo exclusivo até o sexto mês de vida e complementado até dois anos ou mais: • Pediatra tem papel central no incentivo e na promoção do aleitamento materno.
Introdução de alimentação complementar: • Deve ser iniciada no sexto mês de vida. • Evitar suco de frutas, preferência para frutas in natura. • Evitar adição de açúcar (sacarose, frutose e glicose) nos alimentos. • Utilizar alimentos com baixo teor de açúcar, sal e gorduras. • Evitar alimentos industrializados. • Avaliar a alimentação da família. • Incentivar a leitura das informações dos rótulos dos produtos industrializados para o prévio conhecimento do produto a ser adquirido.
Como promover a atividade física em crianças e adolescentes:
• Reduzir o tempo de “tela”: televisão, videogames, computador e celulares a menos de duas horas ao dia nos períodos em que a criança ou o adolescente não está na escola. • Mesmo na escola, devem ser promovidas atividades ao ar livre. • Escolher atividades que sejam agradáveis ou divertidas para a criança ou o adolescente. • Orientar os pais a serem modelos de um estilo de vida saudável para seus filhos. • O aumento do tempo e da intensidade da atividade física deve ser gradual e concomitante à redução do tempo de atividades sedentárias.
Recomendações por faixa etária
Lactentes: • Não há evidências para recomendação de programas ou tipo de exercícios físicos nessa faixa etária. • Recomenda-se que não sejam habituados a assistir televisão e que sejam estimulados a participar de atividades ao ar livre: passeios em parques, pela vizinhança, brincadeiras ao ar livre, sempre sob supervisão de um adulto.
Pré-escolares (2 a 6 anos): • Brincadeiras livres, divertidas e exploratórias supervisionadas por adultos. • Os pré-escolares devem tomar parte em brincadeiras não organizadas e em superfícies lisas. As brincadeiras podem conter algumas variáveis e instruções como: identificar cores e formas e também correr, nadar, rolar, jogar e pegar, fazer caminhadas longas com os pais. • Sempre que possível evitar transportes sedentários, o que se aplica a todas as faixas etárias, e limitar o tempo de “tela” a menos de 2 horas ao dia.
Escolares (6 a 9 anos): • Nessa idade já estão com habilidades motoras, visuais e equilíbrio mais desenvolvidos. Devem continuar a ser estimulados a atividades ao ar livre, mas já podem correr, dançar, pular, jogar bola ou outros esportes com regras simplificadas e flexíveis. Estimular que tenham tempo livre para essas atividades e enfatizar no prazer da atividade e não na competitividade.
Adolescentes (10 a 12 anos): • Dar preferência a atividades físicas com foco em membros da família ou amigos e práticas que estimulem o desenvolvimento de raciocínio tático e a concentração. • Podem participar de esportes mais complexos como futebol, basquete e vôlei. Ao escolher esportes de confronto e contato físico direto, deve-se levar em consideração a maturidade mais do que a idade cronológica da criança. • Também estão autorizados a iniciar programas físicos com o uso de pesos desde que bem supervisionados e que os pesos sejam pequenos e os movimentos sejam repetidos várias vezes (15 a 20).
Adolescentes (acima de 12 anos): • Devem ser estimuladas as atividades preferenciais do adolescente e que envolvam seus amigos, para que não desistam. Podem optar por dança, ioga, corrida, ciclismo, esportes competitivos e não competitivos. Os esportes de colisão e contato devem se basear no peso, tamanho corporal e habilidade mais do que na idade cronológica. • Os treinos com pesos podem continuar e podem ser mais longos, com pesos maiores e com número menor de repetições à medida que o adolescente atinge a maturidade sexual, observando que sejam realizados com técnica adequada.
NCD Risk Factor Collaboration. The Lancet, v.390, p.2627–42, 2017.Simmonds et al. Obes rev, n.17, v.2, p.95-107, 2015.
Ministério da Saúde. Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), 2018.
Sociedade de Pediatria de São Paulo e Agência Brasil
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